Aquilo me chamou a atenção. Percebi que essa forma mais direta e,
de certo modo, mais justa de nomear os fatos não era apenas uma escolha linguística,
mas um reflexo de valores. A comunicação moldava o caráter, a ética e a moral
do cidadão local de maneira diferente daquela que eu conhecia no Brasil.
A segunda vez que voltei a pensar nisso foi durante minha formação em Tecnologia
da Informação, enquanto estudava Comunicação. Aprendi que a linguagem
define o mundo por contraste: sabemos o que é um “cão” justamente porque
ele não é um gato, não é um peixe, não é um pássaro.
As palavras criam fronteiras, significados e, sobretudo, julgamentos.
Sob essa lógica, a suposta piada em torno da palavra “corno” coloca fora da
margem comportamental justamente o cidadão que foi traído por sua esposa.
Ao mesmo tempo, objetifica a mulher como
posse do homem e distorce a percepção sobre alguém que pode ter sido fiel,
mas não recebeu a mesma reciprocidade ou respeito dentro do relacionamento conjugal.
A situação se agrava quando observamos um padrão cultural recorrente no Brasil:
muitas vezes, o homem que trai é visto como garanhão, enquanto a mulher
que trai recebe rótulos pejorativos. Uma visão mais justa e equilibrada
deveria direcionar o julgamento exclusivamente a quem desrespeita
o parceiro ou rompe o compromisso assumido na relação
— independentemente de gênero. Este é o terceiro momento
em que reflito sobre esse tema. Trago aqui, com humildade, minha
visão pessoal e deixo também um convite: que possamos pensar juntos
sobre como a linguagem que usamos não apenas descreve a realidade,
mas ajuda a construí-la. E, claro, fico aberto a ouvir a sua opinião.

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